surda para o caos.
quando enfio os dois fones no ouvido e aumento o volume o mais alto que meus tímpanos suportam, paro de ouvir a cidade e só sinto.
no metrô, tenho vontade de dançar dentro do vagão. na rua, o caos tem o som que eu quero. a cidade passa na minha frente com meu ritmo, minha melodia. eu escolho a que velocidade os transeuntes passarão. eu decido qual o compasso dos carros, do trânsito.
ando no meio da multidão e me sinto sozinha. mas é uma solidão boa, plena. porque me sinto feliz com a minha trilha sonora. é como se estivesse numa bolha. ou num vídeo clipe.
só não queria que o caminho nem a música acabassem.
Add comment Setembro 11, 2009
luto.
na psicologia – sim, aquela que eu nunca deveria ter largado – li, certa vez, para a disciplina de fenomenologia, do mestre nichan, um texto que falava sobre dizer adeus. não me lembro exatamente o que dizia, vou até procurar pra postar trechos, mas a leitura me deixou marcas profundas.
falava da dificuldade de dizer adeus. da quase impossibilidade de enterrar mortes, términos, rupturas, fins no geral.
daqui sete dias, faz cinco meses que estou tendo que lidar com um fim. é só hoje tive o insight do adeus. do desvínculo.
pode parecer meio óbvio, mas, no meu caso, a dificuldade de fazer o funeral desse fim é, na verdade, um misto de egoísmo misturado com um vínculo muito forte e muito profundo com alguém. é uma dificuldade de admitir que nós nunca somos a única possibilidade de felicidade do outro. sempre há uma saída, um caminho.
é um sentimento óbvio de egoísmo de simplesmente não admitir que o outro seja feliz de outro jeito que não com você. é humano, porra! mente quem diz que, depois de anos, torce para que o outro seja feliz da forma que for. “mesmo que seja com outra pessoa”. MEN-TI-RA. não torce não. vai sofrer para caralho o dia que souber que uma terceira, ou quarta ou quinta pessoa pode fazer aquele que você tanto ama ou amou tão feliz quanto você fez.
vai sofrer o diabo o dia que uma terceira, ou quarta ou quinta pessoa dormir na mesma cama que você dormiu, sentar no lugar da mesa que era seu, ter seu lugar nas fotos e nas memórias, receber o abraço apertado e seguro que era você que recebia. e dava.
vai querer morrer o dia em que uma terceira, ou quarta ou quinta pessoa puder fazer o amor da sua vida feliz.
mas vai passar. e talvez você também vá poder ser feliz com uma terceira, ou quarta ou quinta pessoa.
”me voy.
que lastima pero adiós. me despido te ti y…me voy”.
2 comments Agosto 31, 2009
limón y sal
“tengo que confesarte ahora
nunca creí en la felicidad
a veces algo se le parece, pero es pura casualidad”
pois é. a gente acha que achou. mas logo – ou nem tão logo – ela se vai. e deixa a sensação da efemeridade e de que é quase casual.
a música é da julieta venegas. vale ouvir. fala sobre coisinhas bem bonitinhas sobre essa vidinha de meu deus.
2 comments Agosto 20, 2009
a que tribo você pertence?
essa não é uma pergunta feita explicitamente quando você conhece pessoas…mas ela está sempre implícita. e é respondida também sem palavras. você é da tribo x ou y pelo lugar que você frequenta, jeito que você fala, música que ouve, jeito que se veste, pessoas com quem anda. cheguei a ver no twitter – essa bizarra ferramenta da tecnologia – “diga quem segues que te direi quem és”. é mais ou menos por aí…
tá. e daí? isso é mais que sabido. essa pauta é velha, diriam os amigos que são chegados nas coisas hype. mas e quem não pertence a tribo nenhuma? quem absorve um pouco de tudo que um grupo de pessoas têm?
ontem estava no bar com um amigo que trabalha com moda. quem me conhece, sabe: não entendo nada. mas pior que não entender nada é: não conheço ninguém. ele estava com um amigo também do meio. e, em dado momento, eu vi que simplesmente não cabia naquela conversa. e tudo bem, né? não faço parte daquele universo…mas comecei a me sentir mal. comecei a achar que as pessoas iam cobrar isso de mim ou que iam me julgar porque eu não faço e não quero fazer parte daquela tribo.
novamente, quem me conhece sabe: odeio rótulos. mas eles estão por toda parte. se eu me dedico a escrever sobre eles, é porque eles devem ter uma importância pra mim, maior do que eu achava. a questão é que eu só não quero ser olhada pela etiqueta que estampam na minha testa. porque as pessoas são muito mais do essas malditas etiquetas que nos encaixam em grupos sociais. eu quero poder continuar circulando por diversas tribos e ir absorvendo o que elas têm de bacana pra me oferecer e, de repente, ir mostrando coisas além daquele limite que elas próprias se colocam.
.
eu brinco com um amigo: “aaaah sou do samba”. e ele responde: “é nada. olha seu cabelo!!!”.
entenderam?
5 comments Julho 2, 2009
robozando
- Oi, boa tarde. Eu queria confirmar o endereço de vocês, por favor?
- …
- É 24 horas?
- …
- Muito obrigada. Tchau.
Dali 5 horas:
- Oi, boa tarde. Eu queria confirmar o endereço de vocês, por favor?
- …
- É 24 horas?
- …
- Muito obrigada. Tchau.
4 comments Março 3, 2009
insegurança patológica
o que fazer com o sentimento de sempre estar fazendo tudo errado?
o que fazer com a dificuldade de dizer não?
o que fazer com o medo de ser esquecido?
de ficar pra trás?
de não ser gostado?
de não ser correspondido?
de não ser aprovado?
de fracassar?
a vida é mesmo assim, tão cheia de medos? e as certezas, onde estão?
3 comments Janeiro 21, 2009
insustentável inconstância do ser
do ser rachel.
esse turbilhão de emoções, sensações, sentimentos, vontades, dúvidas e medos, às vezes vêm assim, do nada. de repente, tudo parece não fazer mais sentido e começo a sentir uma necessidade louca de achar novos sentidos.
de repente, assim, num piscar de olhos, tenho vontade de ter uma conversa profunda e reformular todos os projetos. e, assim, de repente, essa vontade vai embora. ou fica mais um pouco, incomodando, entristecendo, às vezes, empolgando.
mas essa vontade súbita da conversa profunda – que, geralmente tem que acontecer no momento em que vem, seja ele qual for – quase nunca é correspondida. daí, volto pra normalidade. e pro marasmo.
espero que esses rompantes fiquem todos armazenados em algum lugar dessa cabeça tão labiríntica e inconstante.
1 comment Janeiro 16, 2009
estranhando sem estranhar
hoje está sendo (sem gerundismos, pq está acontecendo nesse exato momento. gerúndio aplicado corretamente) meu primeiro dia de trabalho na empresa nova. todo mundo passa por essa fase de estranhamento, de ócio nos primeiros dias, até pegar ritmo, aprender as coisas, conhecer as pessoas, enfim, coisas do cotidiano no trabalho.
é engraçado sentir isso. porque, ao mesmo tempo que é estranhíssimo – tudo: o ambiente, as pessoas, a disposição das coisas, o edifício, tudo -, sabemos que em pouco tempo tudo vai deixar de ser estranho.
quando entrei na editora globo tinha a sensação de que aquilo tudo nunca ia deixar de ser novo e diferente. e, quando vc menos espera, aquilo tudo se torna tão familiar: os caminhos, labirintos, o fumódromo, a comida, os lanches, as conversas, os horários, a liberdade e a falta de. aqui na abril não estou com essa sensação. andava pelo estreito corredor cheio de baias (aqui são mais baias, mais juntas do que lá) que divide o fumódromo da redação que estou, pensando: “puxa, é um estranho sem estranhar. daqui a pouco todas essas cores meio beges (lá era meio cinza) serão incorporadas e tudo isso que é tão novo vai ficar tão natural e cotidiano”.
o ciclo nunca se encerra.
4 comments Janeiro 6, 2009
you say goodbye…
i say hello.
essa é a frase que estou dizendo hoje.
fomos a um bar para minha despedida. foram muitas pessoas queridas. num universo que eu achei que não ia achar pessoas queridas. e achei. muitas. nossa, pessoas que me permiti conhecer e descobri; me libertei de preconceitos, rótulos, idiotices. me despi, só. e achei! achei pessoas que espero levar pra sempre. pessoas parecidas, com visões de mundo (“cores de almodovar, cores de firda kahlo”) parecidas, crenças parecidas, percepções…
nossa, aprendi tanto nesses nove meses. tanto. reaprendo a amar todos os dias. amo mesmo as diferenças. (e estou falando isso no meu espaço mais pessoal).

3 comments Dezembro 23, 2008